Curva ABC na loja: menos de um quarto dos produtos faz 80% da venda
A curva ABC é um daqueles nomes que todo lojista já ouviu e pouca gente usa. Parece coisa de consultor. Na prática é uma lista em ordem, e ela muda o jeito de comprar.
Montei a curva de um cliente nosso aqui do Sul, com os últimos doze meses de venda. Foram cerca de 16,5 mil produtos diferentes vendidos no período. O resultado:
- Pouco mais de 3,8 mil produtos (menos de um quarto) fizeram 80% do faturamento. Essa é a classe A.
- Quase 7,4 mil produtos (quase metade), somados, trouxeram só 5% da venda. Essa é a cauda da classe C.
- O que ficou no meio é a classe B.
Quase metade do que a loja vendeu no ano, junto, pesou 5% no faturamento. E cada um desses produtos ocupa prateleira, cadastro, espaço na nota de compra e atenção do comprador.
Como montar a sua (em uma planilha)
- Exporte as vendas dos últimos 12 meses por produto, com o valor total vendido.
- Ordene do maior para o menor.
- Crie uma coluna com a soma acumulada e outra com esse acumulado dividido pelo total.
- Até 80% é A. De 80% a 95% é B. O resto é C.
Pronto. Não tem mais mistério que isso.
O que fazer com cada letra
Classe A: nunca pode faltar. Se o item A some da prateleira, a venda vai embora junto, e muitas vezes o cliente também. Para esses, o comprador precisa saber de cor o saldo, o prazo de entrega do fornecedor e quanto vende por semana. Ruptura de A é o erro mais caro da loja.
Classe B: olhar de perto. É onde estão os produtos subindo (que podem virar A) e os que estão caindo. Vale comparar com o trimestre anterior.
Classe C: perguntar "por que ele está aqui?" E aqui vai um cuidado: C não é lixo automaticamente. Tem três tipos de produto C:
- O que traz o cliente. O item barato de reposição (pilha, cadarço, câmara de ar, refil). Vende pouco em reais, mas é o motivo de o cliente entrar na loja, e aí ele vê o resto.
- O que completa o mix. O tamanho grande de uma camisa que vende bem nos tamanhos do meio. Sem ele, a grade fica furada.
- O que só ocupa espaço. Esse é o que não vende, não traz ninguém e não completa nada. É candidato a sair e a não ser mais comprado.
O erro mais comum
Usar a curva ABC só de faturamento. Um produto pode estar na classe A porque vende muito, mas com margem tão baixa que quase não deixa dinheiro. O passo seguinte é montar a mesma curva pelo lucro (venda menos custo), e cruzar com o estoque parado. Quando um produto é C em venda e tem estoque alto, ali tem dinheiro preso.
Uma vez por mês, com a curva na mão, a reunião de compras fica bem mais curta: repõe o A, observa o B e questiona o C antes de recomprar.
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